História e Fatos da Vila Formosa

Ela começa com os humildes e modestos casais que, não tendo recursos financeiros, adquirem um lotezinho de terreno em loteamentos que se iniciam. E, com muitos sacrifícios, durante os domingos e feriados, iniciam a construção de um modesto cômodo e cozinha para evitar aluguéis que sempre foram os fantasmas dos orçamentos humildes. As casinhas, pronta, mudam-se para lá. Logo depois de algum tempo, nasce um profundo amor por ela, pela rua, pelo bairro que vai surgindo e que faz parte de um Município,

de um Estado, que, junto com outros, fazem uma nação. E, então, começam as lutas pelas reivindicações junto aos poderes constituídos, seguidas de enormes sacrifícios para tornar a vida um pouco mais fácil, um pouco mais confortável, ao mesmo tempo em que, com inusitado orgulho, veem o bairro prosperar em quase todos os sentidos, seja com novos vizinhos, novas construções, pois, sabem que, em seu progresso, está a grandeza de seu país.

E assim foi a Vila Formosa e seus 14 subdistritos.

E assim foi a Vila Formosa e seus 14 subdistritos.Vamos transcrever aqui um texto da revista da Sociedade, publicada em 1978 que foi escrito por José Gonzales, um dos expoentes da Sociedade dos Amigos de Vila Formosa

“Procurarei dar aqui uma ideia compatível com a formação deste bairro, pois, as pesquisas feitas por mim, através de alguns moradores dos mais antigos, não satisfaz”.  Muitos de seus relatos foram contraditórios. Portanto, passarei a relatar aqueles que mais se aproximam da verdade. Em 1923, os Srs. Proprietários de uma das maiores glebas de terra da Zona Leste resolveram vender ou lotear toda a imensa área que ligava, desde o alto da Vila Maria, Carrão, Vila Diva até a Cidade São Mateus, suas terras onde hoje se encontram os diversos bairros já formados e onde inclui Vila Formosa e seus subdistritos e que, naquele tempo, era ligada pela velha estrada do Sapopemba. Em 1924, começaram as vendas de lotes nesta região, através da Soc. Civil Bei & Sarti. E, na Estrada do Caguassum, o Sr.º BENTO APARECIDO

 NOGUEIRA construía sua modesta casinha de cômodo e cozinha. Logo a seguir, a Cia Melhoramentos do Brás e, mais tarde, a Cia. Bandeirantes e outras começaram, já a partir deste ano, novas construções, formando-se o núcleo preferencial dentro de Vila Formosa. Chácaras, casas de campo, e até a formação de pequenos sítios podiam ser vistos após dois ou três anos. Esta região, que antes servia a muita gente para caçar passarinhos, estava cada vez mais povoada. Iam-se formando as vilas, os jardins e, cada uma delas ou deles, recebiam nome: Vila Antonieta, Vila Mafra, Jardim Têxtil, Vila Sta. Isabel, Chacára Belenzinho, Jardim Vila Embirá, Jardim Maringá, Vila Matias, Jardim Santo Eduardo, Parque Santo  Antônio e Jardim Vila Formosa.

Em 1930, surgia o primeiro mercadinho da Rua 40, hoje rua Saigon, próximo à Avenida Dr. Eduardo Cotching para a felicidade dos poucos moradores que, antes dele, tinham que se locomoverem de carroça, charrete ou a pé até a Água Rasa ou Belém, para proverem seus lares das necessidades de cada um. Nos anos seguintes, novas casas comerciais foram se instalando e, por volta de 1940, começaram a surgir os paus-de-arara que conduziam pela manhã e traziam um “Charanga”, um velho ônibus de um tal Romeu, que fazia o percurso Água Rasa X Vila Formosa… Mais tarde, a Empresa Viação Cometa pleiteava e conseguia a linha São José do Belém X Vila Formosa.

A PRIMEIRA IGREJA

Aos treze de novembro de 1939, foi fundada a Paróquia de Vila Formosa, confiada aos Missionários do Sagrado Coração, cujo santuário provisório funcionou durante sete anos em uma garagem. Em março de 1946, iniciou-se a construção do atual Santuário de Nossa Senhora do Sagrado Coração e, em 1948, foi inaugurada a primeira parte concluída do novo Templo, o qual ficou totalmente pronto em dezembro de 1950. Um ano depois, foi instalado o primeiro carrilhão da América do Sul

 na torre que mede cinquenta e um metros de altura. Pertence à categoria dos grandes carrilhões, possuindo quarenta e sete sinos de bronze (quatro oitavas), num total de 6887 quilos. Só os três sinos maiores, que possuem um diâmetro superior a um metro, podem badalar movidos por motores elétricos. Os outros quarenta e quatro estão fixos a um suporte metálico graduado. Os badalos são movidos por fios ligados ao teclado do carrilhonista.​

PRIMEIRAS INDÚSTRIAS

Em 1934, instalava-se na antiga Rua 64, n° 100 (hoje Rua Oswaldo Arouca nº 404), a Metalúrgica Arouca Limitada, que, ao iniciar suas atividades, tinha três empregados e cem metros quadrados. Em 1936, instalava-se na, hoje Rua Angá, uma indústria de charque e, mais tarde, no mesmo local, a Alumínio Atlântica,  e se pode dizer que foi uma das pioneiras em Vila Formosa. Em 1941, instalava-se o Condomínio Guilherme Jorge,

na (hoje) avenida do mesmo nome. Em 1949, Ermínio Piccin mudava sua indústria de bebidas do Belém para Vila Formosa, montando seu depósito à Rua Angá, quase esquina da Av. Dr. Eduardo Cotching, onde mantém uma pequena adega em frente a praça que lhe empresta o nome: Praça Piccin. Mais tarde, instalava-se na Rua Argonauta a Indústria e Comércio de Artefatos de Madeira Formosa Ltda.

FUNDAÇÃO DA SOCIEDADE DOS AMIGOS DE VILA FORMOSA

A partir de 1936, a procura de lotes por parte da classe proletária aumentou consideravelmente e, já em 1940, alguns proprietários de sitíos e chácaras resolveram lotear suas áreas através da Sociedade Civil Bei & Sarti.Alguns anos depois, a Cia. Melhoramentos do Brás, adquiria autorização para a venda dos lotes situados em Vila Formosa e bairros adjacentes, lotes esses, vendidos a prazo, com pequena entrada e o saldo: “dois mil réis por mês.” Em 1953, o número de habitantes era de aproximadamente 50 mil. Esta região,

que antes servia a muita gente para caçar passarinhos, estava cada vez mais povoada. Novos núcleos iam se formando e, á medida em que maior era o número de novos residentes, mais se acentuava o desejo de seus moradores em procurar junto às repartições públicas competentes melhores condições de vida para o bairro onde careciam de tudo: condução, água, iluminação, asfalto, escolas, ginásios e colégios. Parques e jardins, luz, esgoto, correio, biblioteca, hospitais e pronto socorros, policiamento, etc.

O INÍCIO DE UMA NOVA ERA

Em 1953, ainda era caótica a situação. Foi quando um grupo de homens e mulheres, donas de casa, sentiram a necessidade de fundar uma Sociedade, a fim de terem a necessária força jurídica e poderem obter respostas aos ofícios encaminhados às repartições competentes, nas reinvindicações de que o bairro tanto precisava. Neste  grupo de homens do bairro estavam: o Cel. Severino Martins, Prof. Paulino Celso Pedro, Francisco Roquetti, Manoel José, Rafael Ranieri, Gagliano Rossi, Saraiva, Zé Meia Noite, Brito, Georgino Rodrigues, Pedro José Lorenti, José Acácio Martinez, Joaquim Cruz, A. Júlio Fonseca, Rogério Miranda,

José Oliveira Mendrot, Hilário Hernandez, Antônio Inácio Cardoso, Domingos Colombo, Antônio Pimenta, Valência Izário Cruz, Manoel Ariza, José Antônio Flores, Francisco Lopes e outros. Futuramente nomearemos as mulheres, que bravamente participaram com muito trabalho e atividades e fundaram e mantiveram esta Sociedade. Assim, em 12 de outubro de 1953, nascia a primeira Sociedade: a SOCIEDADE DOS AMIGOS DE VILA FORMOSA. Dali adiante teria participação ativa e efetiva no crescimento e progresso deste bairro.

O PRIMEIRO BANCO

Em 1957, na Rua Arapoca, nº 1, instalava-se o Banco Brasileiro de Descontos S.A. Destaque-se a visão extraordinária dos dirigentes dessa organização bancaria encabeçada pelo dinâmico homem das finanças. Amador Aguiar que, por certo, ficou satisfeitíssimo com a instalação dessa agencia em Vila Formosa, pois é, sem dúvida muito movimentada.

O PRIMEIRO HOSPITAL

Lei estadual, em junho de 1957, declarava-se de utilidade publica imóveis necessários à construção de um hospital e pronto-socorro em Vila Formosa. A 1° de janeiro de 1960, o Dr. Nicolau Iazzetti e José de Oliveira Mendrot assumiam a direção do mesmo.

MOVIMENTO POLÍTICO

 Em 1959, Vila Formosa e Vilas Unidas careciam de tudo: condução, iluminação, asfalto, água, luz, parques e jardins, escolas, ginásios e colégios, correio, cartório civil, biblioteca, etc. Daí a ideia de se fundar o Movimento Cívico e Político em Vila Formosa e Vilas Unidas. Através desse movimento o povo em massa se uniu para escolher seu voto, em uma prévia, o home

que reunisse melhores condições para representá-lo na Câmara Municipal. Na disputa, foi sufragado o nome de Emilio Meneghini que, nas eleições legais, foi eleito vereador. Em 1962, o povo de Vila Formosa elegiam para deputado estadual o Dr. Orlando Iazzetti. O bairro muito deve a esses dois homens, que foram baluartes no crescimento e progresso deste subdistrito.

OUTROS DESTAQUES

Em 1964, instalava-se uma agência do Correio. Mais uma vez era a  Sociedade dos Amigos de Vila Formosa que possibilitava esta instalação: Pagou por um ano o aluguel do local onde foi instalada a agencia dos correios. Somente em  04 de novembro de 1967, inaugurava-se em Vila Formosa o Ônibus Elétrico e a Biblioteca Municipal. Em 25 de fevereiro de 1967, instalava-se na Praça Sampaio Vidal, n° 31, o Cartório de Registro Civil das Pessoas Naturais do 46° Subdistrito – Vila Formosa – desta comarca da capital. Empossado no cargo de Serventuário titular dessa serventia o Sr. Luiz Rodrigues de Oliveira, para cujo cargo foi promovido nos termos do art. 26 da Lei n° 81.950, por Decreto de 9 de janeiro de 1967.

A Prefeitura Municipal de São Paulo, através da Administração Regional da Mooca, coube a responsabilidade de zelar e incrementar o desenvolvimento do bairro através de seus vários departamentos tais como: Supervisão Administrativa, Supervisão do Uso e Ocupação do Solo, Unidade Escolar, etc. Teve como administrador um homem que em sua gestão, muito contribuiu para o desenvolvimento e progresso deste bairro. Tratava-se do competentíssimo engenheiro Dr. Heitor Pereira de Souza. Em verdade, ainda, naquela época tinham vários problemas sem solução, mas, o mais sério de todos, sem dúvida alguma, era instalação da rede coletora de esgotos. Este problema atravancou, por muito tempo, o progresso deste bairro no campo imobiliário.”

Um retratinho de Vila Formosa no 2° semestre de 1978

Quem conheceu Vila Formosa e seus 14 Subdistritos há 16 anos passados, não poderia em sã consciência admitir que ele se transformasse em um dos bairros mais lindos da Capital, pois, ele é, sem sombras de dúvida, o bairro que mais praças e jardins possui. Sua topografia e altitude (830 mts. acima do nível do mar) o fazem um dos locais mais aprazíveis e saudáveis. Seu ar contem 4% de ozônio e, em alguns locais, até 6%. O crescimento e o progresso vertiginoso verificado neste bairro de 1962 para cá mereceu o slogan: “São Paulo, a cidade que mais cresce no mundo. Vila Formosa, o bairro que mais cresce em São Paulo.”  Sua população, que era de aproximadamente 70 mil habitantes naquela época elevou-se para aproximadamente 200 mil. O comércio e a indústria reunidos que, em 1962, não passavam de 1.300 estabelecimentos, contam hoje com aproximadamente 9.000.  O número de construções de 16 anos para cá, reunindo os subdistritos, é incalculável.  Acompanhado este progresso, tivemos, inúmeras benfeitorias, tais como:

  1. a) Iluminação: 98% de suas ruas centrais são iluminadas com lâmpadas de mercúrio, podendo-se dizer que as restantes receberam 60% deste beneficio.
  2. b) Condução: 4 empresas exploram as 15 linhas de ônibus: C.A.T.C., E.O.V.P., E.O.S.E. e C.M.T.C. (esta última é a que maior número de veículos tem).
  3. c) Escolas: Datilografia, mecanografia, inglês, francês, cursos primários até o vestibular, escolas municipais e estaduais,

4 colégios particulares, e um colégio estadual com capacidade para 3.200 alunos que, a partir do próximo ano, estará ministrando aulas só para o segundo grau. Além das faculdades que se instalaram como: Anhanguera, Brasília, Unicid, Drumond,

4.d) Finanças: 5 ( cinco) bancos particulares e uma caixa econômica estadual que movimentam mensalmente 600 milhões de depósitos sem contar com o êxodo monetário em bancos de outros bairros vizinhos. Para muito breve, contará com o Banco do Estado que está em fase final de construção.

5.e) Saúde: Postos de puericultura, 3 hospitais e pronto-socorros particulares.

6.f) E mais:  Ônibus Elétrico, Correio, Cartório Civil, Biblioteca Municipal, Parques Infantis, Centro de Conveniência da Criança, Mercado Municipal-Distrital C.E.R.E.T., etc…​

Mas, dado este crescimento, somo beneficiados em apenas 10% de rede coletora de esgotos, sendo o centro desprovido. Ai, justamente deverá se estabelecer o progresso imobiliário como moradias e escritórios, em prédios de vários andares. Neste sentido, foram encaminhados pelas entidades representativas do bairro vários ofícios ao Governador do Estado e, apesar da promessa feita pelo Sr. Emigdio de Barros, Superintendente da SABESP, em 30 de junho do corrente ano, na Sociedade dos Amigos de Vila Formosa, de que ainda ao final deste ano seriam iniciadas essas obras, até agora nada.

Comendador José Gonzales

DIA DO BAIRRO DE VILA FORMOSA

LEI N° 11.499, 11 DE ABRIL DE 1994

​(Projeto de Lei n° 657/93, do Vereador Emilio Meneghini)
Institui no âmbito do Município de São Paulo o “Dia do Bairro de Vila Formosa, e dá outras providências. PAULO MALUF, Prefeito do Município de São Paulo, usando das atribuições que lhe são conferidas por lei. Faz saber que a Câmara Municipal, em sessão de 15 de março de 1994, decretou e promulgou a seguinte Lei:

Art. 1° – Fica Instituído, no âmbito do Município de São Paulo, o “Dia do Bairro de Vila Formosa”, a ser comemorado, anualmente, no segundo domingo do mês de Outubro.

Art. 2° – O evento ora instituído passará a constar do calendário oficial de eventos do Município.

Art. 3° – As despesas decorrentes da execução desta lei correrão por conta das dotações orçamentárias próprias, suplementadas se necessário.

Art. 4° – Está lei entrará em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em contrario.

PREFEITURA DO MUNÍCIPIO DE SÃO PAULO, aos 11 de abril de 1994, 441° da fundação de São Paulo.

PAULO MALUF, PREFEITO

JOSÉ ALTINO MACHADO, Secretário dos Negócios Jurídicos