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O dia de perder o irmão

Acontece no Bairro, Curiosidades

O dia de perder o irmão

Os meses do ano, com o passar do tempo foram marcados por alertas, comemorações e festas. As pessoas costumam gostar mais de um mês do que do outro. Temos em dezembro, um exemplo: tem pessoas que acham o mês mais bonito do ano, devido ao natal, encontro mais fácil entre as famílias e amigos, como também, um mês com muitas festas, iluminação, luzes, religiosidade aflorada e alegrias. Outras pessoas, com vários trabalhos em prol da comunidade, fixam-se em meses que trazem mensagens: outubro rosa: com alertas às mulheres sobre o câncer de mama; setembro amarelo: suicídio. Aqui um fato que preocupa a todos nós, devido ao índice alarmante. E, assim as pessoas escolhem os meses que gostam ou não gostam, que são mais atrativos para seus trabalhos ou que trazem, em suas memórias tristes ou alegres.

Eu, particularmente, não gosto do mês de agosto, sempre acontecem tropeços neste mês, que marcam ou deixam gostinho amargo, em minha vida. Vejam este agosto de 2019:

Aos sábados durante muitos anos, quando não tínhamos compromissos fora, eu e meu irmão mantínhamos uma conversa, um bate papo, em seu escritório, costume que mantivemos por anos, falávamos sobre política, sobre seus filhos e claro meus sobrinhos queridos, sobre amigos, sobre família, sobre trabalho, sobre a VILA FORMOSA. Em 03 de agosto, fui lá e quando cheguei, ele estava, sentado no carro em frente ao escritório, ouvindo notícias, cumprimentamo-nos e ele me disse:” entra, estou terminando de ouvir um negócio e já vou falar com você”.

Logo após, entrou e fomos pra uma salinha, não usamos a escada para subir até sua sala, o que fazíamos normalmente. Sentamo-nos um frente ao outro e ele, ficou me olhando por algum tempo, quando de repente me falou: Fui atropelado por… não me lembro a expressão, já que ele tinha uma linguagem típica.  Mas, era tipo uma carreta das maiores que existiam no mundo. Eu fiquei sem fala. Ele, continuou: câncer de Pâncreas. Me contou como foi à descoberta, no caso pelo nosso querido amigo, Dr. Sumita. Disse ter sentido algo e foi até Dr. Sumita, que solicitou exames urgentes e pediu pra que fosse até um oncologista. Afirmando assim, desde então que o caso era grave.

Sílvio procurou o Hospital de Barretos, referência em câncer no país. Falou que achava que eles poderiam prorrogar… Lá médicos lhe haviam falado de pesquisas e remédios novos que o mundo mandava pra lá, o tempo todo. Falou que ia para Barretos na segunda feira, dia 05. Eu insisti em levá-lo. Ficou brabo e falou que não. Quando precisasse, não recusaria minha ajuda. Mas, que agora estava bem, pois já tinha um esquema montado para chegar à Barretos. Eu, solicitei ao filho dele, que fosse encontrá-lo em Barretos e quando fosse examinado, desse um jeito de falar com o médico, sem que ele percebesse e me passasse as notícias. A agonia durou o dia todo. Lá pelas 18 horas, meu sobrinho me ligou: “tia, arrume uma ambulância para vir pegar o pai.” Eu, não quis entender e perguntei: “Mas como, ele está ruim?! Está consciente??”, meu sobrinho: “Sim e brabo, dando bronca em nós!”. Fui fazer a locação de uma ambulância, completamente sem chão. Enquanto fazia os trâmites para pagamento, meu sobrinho me ligou que tinham conseguido contratar uma ambulância mais próxima e ele já iria sair, com destino à São Paulo.

Bom, no dia 8, foi fazer exames e ficou internado e quando o vi, ficamos internados juntos. Eu, que sempre tive com pressão normal, tive uma forte crise de pressão alta e acabei tendo que ficar em observação no hospital. Toda hora eu perguntava, “Você está com dor?”, o tempo todo ele dizia não. Ficou consciente o tempo todo. No domingo, Denise e eu, saímos de lá tarde, após eu fazer mil recomendações ao meu sobrinho e, também ao Sílvio, para que se precisasse de algo, falar ou chamar o filho.

No dia 12 de agosto, levantei-me às 5 da manhã e fiquei rezando, para que ele não tivesse dor. Às 6h40 fui pra sacada do meu apartamento e olhando as árvores do Ceret, falei com meus pais, já falecidos: “Silvio está chegando. Recebam ele com muito carinho. Aliás, não preciso pedir isto. Estou só reforçando. Pode até ser que eu chegue primeiro.” Deste modo sorri, um tanto aflita.

Entrei. O telefone toca: meu sobrinho me avisando que Sílvio havia falecido. Fiquei elétrica!

Quando cheguei ao hospital, o filho dele, me contou que ele ficou a noite inteira da cama para uma cadeira que havia no quarto, e lá pelas 6 da manhã, sentiu falta de ar e pediu que aumentasse o oxigênio, do qual estava usando há dois dias. Depois, pediu mais oxigênio, foi quando meu sobrinho chamou a enfermeira, que foi falar com o médico. Neste interim, pegou as duas mãos do meu sobrinho e desfaleceu.

Assim, sem grandes sofrimentos, meu irmão deixou-nos, com a rapidez que fazia sempre tudo na vida, sem delongas, sem perda de tempo: sem dores ou sofrimentos.

Isto tudo foi no dia 12 de agosto. DIA QUE PERDI MEU IRMÃO:  homem político, inteligente, esperto, culto, líder comunitário participante; com um grande amor, pela sociedade dos amigos de vila formosa e por vila formosa.

O ADEUS!

Foi um velório com muita gente, em torno de mil pessoas: amigos, família, companheiros de OAB, Rotary Clube Vila Formosa, era sócio fundador, Rotarys: Tatuapé, Aricanduva, Alto da Mooca, Mooca, Carrão e outros, Lions Clube Vila Formosa, Sociedade dos Amigos de Vila Formosa – era Presidente do Conselho Fiscal -, e outras tantas Instituições da Zona Leste. Zona Leste, Câmara do Vale do Aricanduva, vários jornais de bairros, Associação dos Jornais e revistas de Bairro de São Paulo, diversas Instituições, como Câmara Municipal, com muitos vereadores, entre os quais destaco, Gilson Barreto e Toninho Paiva, que além de presentes, fizeram votos, em sessão da Câmara e obtiveram a assinatura de tantos vereadores daquela Casa;  SUB PREFEITURA DO ARICANDUVA, CARRÃO E VILA FORMOSA, que ele num forte trabalho, junto com amigos, inclusive eu, após muitas reuniões, trouxe para a VILA FORMOSA, na época, como ADMINISTRAÇÃO REGIONAL.

Outro trabalho grande, foi o velório novo do cemitério da VILA FORMOSA, solicitou ao então prefeito JANIO QUADROS e fez várias reuniões com seu forte grupo político, na época. E, obteve a aprovação de Jânio Quadros. Assim foi, com várias outras reinvindicações da população de nossa região.

Ele, muito trabalhou e muito conseguiu para nossa região. Na Gazeta de Vila Formosa, fez um canal para reinvindicações da região, mesmo que isto custasse, a desistência de anunciantes, patrocinadores ou anúncios do governo.

Recebemos muitos abraços e manifestações de carinho, de muita, muita gente!

A Câmara Municipal de São Paulo, através de seus vereadores o homenagearam por muitos dias. A OAB/TATUAPÉ, além de presente, em todos os momentos, e, também com suas homenagens lideradas pela sua presidente Dra. Rosemeire Solidade da Silva Matheus e todos os companheiros.

As igrejas São Benedito das Vitórias, Nossa Senhora do Sagrado Coração e Bom Parto, com missas, presididas por seus párocos amados, além do abraço carinhoso de cada um.

Até hoje recebo abraços, visitas e o carinho de pessoas que não sabiam e surpresas ou até perplexas chegam a nós.

Os empresários da região que se fizeram presentes, pessoalmente ou através de 42 coroas, que foram encaminhadas.

Dr. Sílvio sempre falava que seu enterro seria concorrido: “Irão os amigos, companheiros e parceiros, para as últimas homenagens e os inimigos, para constatar a morte.” Este era meu irmão, sempre tinha tiradas das situações!

Ainda, perplexos, querendo que fosse apenas um pesadelo, estamos aqui caminhando, caminhando e vivendo nosso luto, a cada momento. “Eta Tanalogia braba, minha gente!”

Deus esteja sempre com todos vocês: meus sobrinhos, Denise, toda minha família, parceiros, amigos, companheiros de Rotary, OAB, Sociedade dos Amigos de Vila Formosa, conhecidos, funcionários da Gazeta e da Sociedade, empresários da Vila Formosa, Cidadãos, todas as Instituições que estiveram conosco, e aos companheiros do Rotary que a cada momento, ainda continuam homenageando-o.

Deus lhes paguem!

Abraço forte!

               

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